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CHAMADA - Ensino de história em conexão com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)

2026-02-27

Ementa: 

O ensino de História ocupa um lugar estratégico nas reflexões sobre as relações entre o Brasil e o continente africano. Embora por demasiado tempo, tais relações e cooperações tenham ficado de fora dos conteúdos tanto da produção acadêmica quanto da educação básica, em 2003, a histórica demanda dos movimentos negros resultou, na promulgação da Lei nº. 10.639/03 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº. 9.394/96 tornando obrigatória a inclusão da história e da cultura africana e afro-brasileira nos currículos da educação básica. Essa mudança `curricular impulsionou o campo da produção do conhecimento a fomentar diálogos que viabilizem não apenas uma reconexão entre Brasil e o continente africano, mas, sobretudo, o reconhecimento das relações interculturais estabelecidas ao longo de séculos entre ambos. Trata-se de uma resposta ao apagamento e epistemicídio histórico produzido pelo racismo estrutural e científico, ao mesmo tempo, de um caminho para o fortalecimento de uma educação antirracista.
Apontamos aqui, como aspecto fundamental desse processo, o estudo dos movimentos de independência ocorridos na segunda metade da década de 1970 na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, sobretudo no que se refere a construção das identidades nacionais. Esses processos históricos suscitam questões cruciais: Como as tensões entre o passado colonial e os protagonismos endógenos vem sendo representados e apresentados nas pesquisas acadêmicas e, também nos materiais didáticos? Quais agências podem ser mobilizadas para a escrita da história contemporânea das lutas negras no Brasil e nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP)? A partir das lutas de libertação e independência, quais fontes documentais, orais, visuais e patrimoniais podem ser acionadas para refletirmos sobre o ensino de História nos PALOP? Também coloca em debate o papel do Brasil nesse cenário, seja pela atuação de Paulo Freire em experiências educativas no continente africano, seja pela criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), na década de 2010, concebida como um projeto estratégico de cooperação acadêmica e política no eixo Sul-Sul.
Nesse sentido, este dossiê tem como objetivo promover o diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores da área de Ensino de História na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Brasil. Busca-se ampliar debates e favorecer a circulação de ideias, experiências de pesquisas e práticas pedagógicas que potencializem novas perspectivas sobre o ensino de História nos PALOP, em articulação com a realidade brasileira.

Organizadores: 

Cicera Nunes (cicera.urca@gmail.com). Doutora em Educação (UFC). Professora na Universidade Regional do Cariri (URCA). Professora vinculada ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História URCA).


Fábio Eduardo Cressoni (cressoni@unilab.edu.br). Doutor em História (UNESP). Professor na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Professor vinculado ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História UFC).

Ivete Batista da Silva Almeida (ivete.almeida@ufu.br). Doutora em História Social (USP). Professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professora vinculada ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História UFU).

Tedse Silva Soares da Gama (Nkananda Ka). Mestre em História (UFC). Professor na Associação da Escola Portuguesa na Guiné-Bissau).